Podcast – Internet: uma nova Região Cultural?

6 02 2010

A importância da cultura no planejamento estratégico de e-soluções é tão relevante que alguns pesquisadores chegam a propor que a internet seja tratada como uma “região cultural” à parte. Ou seja, estes profissionais (acadêmicos e/ou práticos) sugerem que modelos de análise e entendimento de culturas (como os valores culturais propostos por Geert Hofstede) não se aplicam à internet, pois o ambiente on-line possui características muito particulares. Em alguns casos, pessoas de culturas diferentes (e, por consequência, com percepções e expectativas distintas em relação à sua experiência no mundo digital) adotam comportamentos e valorizam coisas semelhantes na internet – o que jamais fariam no mundo off-line!

É vital que a presença online de sua empresa (se for uma organização internacional/multinacional então…) esteja preparado para ser uma potente ferramenta de comunicação e relacionamento no ambiente em que está inserida. Por isso, conhecer bem como é a cultura local, o que seus stakeholders valorizam, como se aproximar deles e como se tornar mais familiar é peça-fundamental no sucesso de qualquer empreendimento on-line.

Ouça agora o podcast: Internet: uma nova Região Cultural?

Referências:

Essa surpreendente e relevante relação de Cultura e Internet tem me motivado a estudar muito o assunto. A seguir, recomendo algumas fontes de conteúdo sobre o tema. Infelizmente, a literatura associando características sociais com o ambiente online são raras no Brasil. Assim, quase todas as minhas sugestões são em inglês:

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#soumaisweb – 12a Edição – Esportes e Internet

16 11 2009

INSCRIÇÕES
Para participar basta preencher esse formulário com seus dados

A última edição do #SouMaisWeb em 2009 será sobre Esportes e Internet. Esse tema ainda vai dar muito o que falar (temos as Olimpíadas no Rio, Copa aqui no Brasil etc), então achamos que poderia ser útil pra comunidade se já iniciarmos debates e começarmos a trocar idéias sobre o tema.

O debate será no mesmo batlocal, Ibeu Copacabana, no sábado dia 5 de dezembro, de 10h às 13h.

Vamos ter quatro feras participando. Todos têm muita experiência em esporte e em internet e vamos ouvir em primeira mão, por exemplo, o que empresas como O Globo, ESPN e Lancenet estão preparando para a Copa do Mundo de 2010, que será a primeira com um mega-impacto online (não só pelo avanço tecnológico, mas pelo foco inevitável na participação do usuário na produção / consumo de conteúdo).

:: Quem vai participar

Maurício Louro
Jornalista formado na Universidade Federal Fluminense,  duas pós-graduações: em Gestão de Marketing Digital, e em Jornalismo Cultural. Atualmente é Editor de Conteúdo do Lancenet! com atuação em jornalismo esportivo, desenvolvimento de comunicação em websites, jornais impressos, rádio, agência de notícias e assessoria de imprensa. Criador e instrutor do curso “Técnicas de Comunicação na Web”.

Márcio Mac Culloch Jr
Está à frente do projeto de cobertura do Mundial da África do Sul. Foi editor de esportes do site do jornal O Globo de 2001 a 2008 e atualmente é coordenador de projetos esportivos da Infoglobo. Comandou a cobertura on-line das Copas do Mundo da Coréia do Sul/Japão e da Alemanha; dos Jogos Olímpicos de Atenas e Pequim e dos Jogos Pan-Americanos Rio 2007. É formado em comunicação social pela PUC-RJ, com MBA em gestão de negócios pelo IBMEC e pós-graduação em jornalismo pela Faculdade da Cidade-RJ.

Cássio Brandão
Publicitário, já realizou projetos para internet, celular e TV Digital. Iniciou sua carreira no start-up do iG. Teve passagens por Claro, Globo.com, TVA e Editora Abril. Hoje trabalha na ESPN como Gerente de Novas Mídias. Já foi premiado duas vezes com o iBest, uma com o Prêmio Info e recentemente recebeu o Prêmio ABANET com o projeto do ESPN.com.br. Está, nesse momento, envolvido em diversos projetos, entre eles o Planejamento Digital para a Copa do Mundo, a plataforma de VOD ESPN360 e a central de conteúdos para dispositivos móveis.

Cris Dissat (moderadora)
Jornalista formada pela UFF, pós-graduada em Gestão Estratégica de Marketing Digital (IGEC-Facha); blogueira desde fevereiro de 2004, quando criou o Blog Fim de Jogo. Atua também na área de jornalismo científico e é uma das sócias da Informed Jornalismo. Blogueira pioneira a acompanhar as coletivas da Suderj, além de ser parceira do Blog Meio de Campo (GloboEsporte), Gease-Fla, Central do Brasileirão e Blogão do Esporte. Membro do Ponto JoL, do site Jornalistas da Web e colunista do Nós da Comunicação.

INSCRIÇÕES
Para participar basta preencher esse formulário com seus dados

Sempre mando, antes do dia do debate, um reminder pra todo mundo (não envio confirmação de recebimento do pedido de inscrição!). Com isso, a gente tá conseguindo montar uma rede bem legal de contatos e de profissionais feras nas diversas áreas de internet no Rio de Janeiro.

Veja também:

> O que andam falando do #soumaisweb no Twitter
> Mapa do local (Ibeu Copacabana)
> Veja resultados de busca no Flickr (fotos), Qik (vídeos) e YouTube (vídeos)
> Slides pra download das apresentações que já rolaram no evento
> Se quiser saber mais sobre o curso de pós-graduação em Marketing Digital, clique aqui





#soumaisweb – 11a Edição – O Futuro das Agências

4 11 2009

Logo---Amarelo---soumaisweb---Amanda---2009_07_18

Enfim, depois de um tempo coletando e aprendendo com o que foi colocado da 11° Edição do #soumaisweb na internet, aqui vai um post consolidado com tudo (ou quase tudo, me perdoe – e me email! – quem ficou de fora) que foi produzido, antes, durante e após o evento. Por conta de tantos (bons) frutos colhidos nessa última edição, ficou difícil para o @ninocarvalho (já que agora o evento está sendo requisitado por outros locais – Juiz de Fora, BH, Fortaleza, SP, Floripa, Cuiabá etc) fazer esse consolidado. Por isso eu, @daniel_cintra, assumi essa tarefa de organizar o que foi dito sobre o evento. Espero que gostem 🙂

Bem, a última edição foi sobre “O Futuro das Agências – o que fazer para garantir a sobrevivência numa nova Era?“, e contou com a participação dos ilustres @superbenson, @rizzomiranda, @nickellis que deram show em suas palestras, além do moderador, o fera em conteúdo @acarvalho. A interação da platéia com os nossos palestrantes foi um dos pontos altos do evento, constituindo um dos principais diferenciais do #soumaisweb. A presença de @josetelmo, @roneyb, @raphaelcrespo, @fabiocarvalho e tantos outros, foi essencial para elevar o nível dos debates, contribuindo intensamente com as questões que envolviam como as agências estão tendo que se adaptar aos meios digitais. Como não poderia deixar de ser, mais uma vez o anfitrião Nino soube conduzí-lo com suas intervenções nasais em grande estilo.

Depois do debate, como já é tradicional, foi a vez dos nossos blogueiros darem show. Nem sei por onde começar, pois foram tantos posts de qualidade que fica difícil fazer uma seleção, mas vamos lá. Antes de mais nada, temos que agradecer de joelhos (as usual!) o @cristianoweb. O cara tava de casa, com conjutivite e ainda assim o maluco consegue fazer seu resumo muito divertido e cheio de inteligência.

Além dele, o @fabiocarvalho (meu companheiro de turma), postou no MeEmblogando uma análise bem detalhada do que aconteceu de mais importante no evento, com destaque para a polêmica do #portocainarede. Destaque também para o ótimo post de @LeoBraganca no PrezadosColaboradores, de @camilamariah no Comunic@H@bilidade e @bngaia no Palavras aos Pixes. O @lularibeiro, cada vez mais evoluído em SEO/SEM, também escreveu um artigo sobre a discussão de ser ou não especialista em redes sociais. Eu prefiro deixar a análise do evento com esses caras, pois eles falaram e falaram bem.

No entanto, nada supreende tanto quanto o engajamento online, que também bateu recordes, com mais de mil tuites postados durante o evento e mais de 100 páginas no twitter com a hashtag #soumaisweb. É a galera contribuindo em massa para disseminar a quantidade de informação relevante exposta por nossos palestrantes e pelos debates com o público.

Fica aqui então o agradecimento a todos que participaram (on e offline) do evento, em especial também ao Ibeu. Acho que nem preciso reforçar o quão gratificante foi assistir às palestras de feras da comunicação, e ver mais uma edição sendo realizada com sucesso, rendendo ótimos frutos. Agora, é esperar pelo próximo, sobre Esportes na Internet, e quem sabe um evento fora do Rio. Com certeza não será o público pois em qualquer lugar que vá a intenção é que ele continue gratuito, contribuindo como pode, na difusão de conhecimentos tão relevantes para nossa vida.

Ah! Apesar de trabalhar com ele, deixa eu dar uma cutucada e lembrar a todos que o Nino PROMETEU que ia dar pelo menos um ônibus pra levar os VIP do #soumaisweb e o pessoal da #posmktdig pra SP, quando for rolar a estréia do evento por lá… anotem aí e podem cobrar, viu?

Abaixo segue um compilado de tudo o que eu achei sobre a 11° Edição do #soumaisweb na internet.

> Quem colocou o que online? <

:: PPTS / RECOMENDAÇÕES DE LEITURA

:: MULTIMÍDIA

:: POSTS SOBRE O EVENTO

Veja também:

> O que andam falando do #soumaisweb no Twitter
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#soumaisweb – 11a edição – O Futuro das Agências

6 10 2009


O próximo #soumaisweb será no dia 17 de outubro, sábado, de 10h às 13h, no auditório do Ibeu (veja o mapa do Ibeu Copacabana). O tema será O Futuro das Agências – o que fazer para garantir a sobrevivência numa nova Era?

A comunidade online tem falado muito sobre o futuro (sombrio?) das agências. As empresas que trabalham prestando serviços em Assessoria de Imprensa, Publicidade / Propaganda e RP estão vendo um novo mundo à frente e, infelizmente, muitas parecem estar à deriva da inevitável evolução digital.

Recentemente, motivado por muitas pessoas de listas de discussão e por papos no Twitter, publiquei um podcast sobre o assunto. Se você procurar sobre como as agências estão na internet, vão se surpreender com pesquisas e posts em blogs sobre o fiasco que é a entrada institucional destas empresas na internet.

A primeira pergunta que todos se fazem é: “Mas se as agências não sabem gerir sua própria presença na internet, como farão isso para seus clientes?”. Eu vou além – acho que a maior parte destes players não entendeu (ou não está preparado pra aceitar) como funciona esse novo mundo. Os modelos de negócio, inclusive, estão em teste.

Bem, outro motivador para trazermos o tema pra discussão é a forma como muitas agências tem procurado solucionar esse problema de sobrevivência no futuro. Algumas mudam de nome, dissassociando tudo que conquistaram com a marca analógica da recém-nascida marca digital. Outras confiam cegamente em seus “fornecedores de web”, pondo em risco uma das principais forças competitivas propostas por Porter, ficando à mercê da boa vontade do fornecedor.

Em meio a todas estas questões, decidimos fazer o #soumaisweb com quatro profissionais que vão enriquecer e estimular muito a interação com o público on e offline:

:: Debatedores

– Risoletta Miranda(@rizzomiranda)
Diretora-Executiva da FSB PR Digital (www.fsb.com.br), formada em jornalismo, MBA Marketing COPPEAD/UFRJ, especializada em Planejamento Estratégico de Marketing e Comunicação Digital e uma das criadoras do Conceito de VRM  – Virtual Relationship Management.

– George “Benson” Acohamo (@superbenson)
Publicitário formado pela Escola de Comunicação da UFRJ, pós graduado em Administração de Marketing. É Gerente de Comunicação Interativa da DPZ, com passagens por agências como Y&R, Africa, MLab e Fbiz, e ainda pelo portal Zip.Net e TV Globo.

– Nick Ellis (@nickellis)
Editor e autor do Digital Drops e Meio Bit, que juntos tem mais de 1 milhão de visitas únicas por mês. Com mais de 20 anos de experiência como designer e diretor de arte, atualmente trabalha na In Press Porter Novelli como Especialista em Mídias Digitais, cuidando da criação de conteúdo para blogs corporativos, monitoração online e criação de campanhas virais usando redes sociais como Facebook e Twitter.

– Alexandre Carvalho (@acarvalho)
Jornalista formado em 2003 pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), há oito anos vem estudando as profundas mudanças que a internet vem provocando na comunicação digital, tanto no jornalismo quanto no marketing e na publicidade. Tem larga experiência em assessoria de imprensa, no atendimento a empresas dos setores de tecnologia e esportes, e atualmente é executivo de mídias sociais da LVBA Comunicação, cuidando exclusivamente das ações de RP da Nokia do Brasil para este segmento. Desde janeiro, mantém em atividade o blog Almanaque da Fórmula-1 , onde busca resgatar a história da categoria em seus quase 60 anos de existência.

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– Seu Twitter
– Como soube do evento

Sempre mando, antes do dia do debate, um reminder pra todo mundo (não envio confirmação de recebimento do pedido de inscrição!). Com isso, a gente tá conseguindo montar uma rede bem legal de contatos e de profissionais feras nas diversas áreas de internet no Rio de Janeiro.

Veja também:

> O que andam falando do #soumaisweb no Twitter
> Mapa do local (Ibeu Copacabana)
> Veja resultados de busca no Flickr (fotos), Qik (vídeos) e YouTube (vídeos)
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Seu site é culturalmente customizado?

18 09 2009

Há diversos estudos e casos que mostram o quanto é importante se conhecer acultura em que se está atuando para poder estar mais perto do cliente. As diferenças culturais são tão complexas e particulares que o que significa algo bompara um lado, pode ter um significado totalmente oposto para o outro. Numa pesquisa da Universidade de Michigan, em 2005, feita com estudantes chineses e norte-americanos, mostrou que povos distintos enxergam o mundo de maneira bem diferente. Logicamente, é natural se imaginar que isso tenha vários impactos na presença on-line de qualquer organização…

Mesmo para coisas aparentemente mais simples pode haver interpretações muito distintas. Uma pesquisa de 2003 mostra que, mesmo para as cores, culturas diferentes dão significados diferentes. Por exemplo, enquanto no Brasil a cor vermelha remete a vibraçãovisibilidade e sexo, na China, ela leva a interpretações como celebraçãoboa sorte e comunismo (veja mais sobre o significado cultural das cores).

Em 2005, tive o primeiro contato com o termo Customização Cultural de Sites, quando buscava referências sobre o tema e de alguma maneira achei o livro The Culturally Customized Website. Os autores pegaram um estudo do holandês Geert Hofstede sobre “os cinco valores culturais” e tentaram ver como poderiamcustomizar sites baseados nas particularidades de diferentes culturas.

Um site culturalmente customizado é aquele que está totalmente imerso na cultura do mercado em que atua. Deve ir além de uma mera tradução e deve se preocupar em ser localizado.

Os cinco valores culturais são: Individualismo x Coletivismo; Grau de aversão ao risco; Masculino x Feminino; Distância do Poder; Baixo ou Alto Contexto (veja mais sobre os valores aqui. Colocadas em uma escala as diferentes culturas/países podem ser consideradas mais propensas a um extremo ou outro de cada valor. Então, de acordo com as características de cada cultura, foram identificadoselementos que podem ser utilizados no site para que a empresa se aproxime mais do público local e se torne mais familiar àquele país.

No caso do Brasil, de acordo com suas características culturais, é interessante que a organização pense em utilizar alguns (ou muitos!) dos elementos/funcionalidades abaixo:

Valor Cultural – o Brasil é: 

Muito coletivista

O que você deveria ter / falar no site?

Relacionamento da empresa com a comunidade na qual está inserida, ações de responsabilidade social, chats com gerentes e diretores da empresa, estimular grupos de discussão, estar presente nas principais redes sociais de maneira ativa, fotos ilustrando famílias e funcionários, mostrar ênfase na equipe e em trabalhos coletivos, programas especiais de lealdade, links para parceiros locais e informações detalhadas sobre as lojas (ou a presença) da empresa no país.

Valor Cultural – o Brasil é:

Possui alta aversão ao risco

O que você deveria ter / falar no site?

Área de Atendimento ao Cliente (não somente um Fale Conosco simples…), depoimentos de clientes e parceiros, mostrar selos de organizações que reforcem a credibilidade de sua empresa, linguagem/expressões locais, navegação guiada (links relacionados, breadcrumbs etc).

Valor Cultural – o Brasil é:

Tem alta distância do poder

O que você deveria ter / falar no site?

Informações sobre a estrutura hierárquica da empresa (inclusive mostrando organograma da empresa), mostrar imagens de pessoas e de influência (altos-executivos, celebridades etc), prêmios e selos de qualidade (Very Sign, iBest etc.), visão e missão da organização.

Valor Cultural – o Brasil é:

Valoriza mais o Feminino e a cultura de Alto Contexto
(países com cultura mais feminina quase sempre são, também, de Alto Contexto – caso do Brasil e da maioria dos países latinos)

O que você deveria ter / falar no site?

Estética, harmonia visual, suavidade e clareza no conteúdo (texto, áudio, imagens, vídeos, layout), tratamento educado e respeitoso, mensagens indiretas, modéstia, usar apelos ligados ao amor/emoção/harmonia, simbolismo e linguagem iconográfica.


Acredito que também existam diferenças entre culturas dentro de um mesmo país(pense nos diferentes costumes, culinária, música, expressões e palavras etc., entre o Nordeste e o Sul, por exemplo). No entanto, pode ser que elas não sejam tão significativas a ponto de mudar o valor cultural predominante no país e, por isso, não se justifique ter um site focado em nordestinos e outro voltado para sulistas…

Mesmo sendo tão importante para uma empresa estar o mais próxima do seu público quanto possível e melhorar cada vez mais a sua capacidade de comunicação com seus stakeholders, fiquei surpreso ao ver que há diversas organizações de ampla atuação internacional que têm apenas traduções simplificadas do site no idioma original e, às vezes, a menção ao país não passa de um endereço na lista de “contatos internacionais” numa subpágina do Fale Conosco.

Eu gosto dos sites da LG. Claramente dá pra notar que eles têm um site para os brasileiros e outro, bem diferente, para os iranianos ou mexicanos, por exemplo… Não são traduções toscas, mas sim uma experiência muito mais focada no target do mercado local.

Em 2007, cheguei a fazer um experimento que deu muito certo, durante o trabalho no British Council. A organização ajuda jovens a escolher sua opção em educação no Reino Unido. Os brasileiros já são, culturalmente, muito avessos ao risco. Se pensarmos que algumas dessas pessoas estavam tomando decisões quemaximizavam essa percepção de risco (por exemplo, fazer mestrado no exterior, o que significa ir para um país totalmente diferente, idioma, clima, costumes… tudo diferente, e ainda investir um ou dois anos de sua vida longe dos amigos e família, pela bagatela de 60 a 100 mil reais), era muito importante que ajudássemos aminimizar o risco percebido por intermédio do website. O que fizemos, seguindo sugestões dessas pesquisas sobre os valores culturais, foi encher o site com diversos depoimentos em vídeo de brasileiros que já tinham passado por este longo e custoso processo e estavam de volta ao Brasil, trabalhando, e muito satisfeitos com a experiência no Reino Unido.

resultado foi fantástico. Muito mais importante que o aumento no tráfego, ouvimos em uma pesquisa que fizemos com internautas (e interessados em, futuramente, estudar fora do país) que a seção de Depoimentos de ex-alunos era “a mais importante do site”. Alguns dos entrevistados chegaram a dizer que os depoimentos foram vitais na tomada de decisão justamente por ser uma área na qual “pessoas reais” estavam falando de maneira honesta e transparente como viveram a experiência. Os internautas se identificavam totalmente com aquelas pessoas e ouvir um depoimento desses ex-alunos valia muito mais que qualquer ação que a organização fizesse para dizer o quanto era bacana estudar em uma instituição britânica.

Na verdade, sites como o eBay, a Amazon, ou o Mercado Livre são integralmente baseados em depoimentos e feedback de outras pessoas “normais”, como eu ou você, em vez de ser sempre a empresa falando sobre si mesma, sobre o quanto seus produtos e serviços são fantasticamente sedutores etc…

Vou fechar confessando que fiquei muito surpreso de achar somente nove (isso mesmo, 9) resultados no Google para a expressão “customização cultural”. Também procurei de outras formas e não vi nada, ninguém tratando desse tema!Acho isso uma grande pena porque existem milhares de empresas estrangeiras em nosso país e, como você também já deve ter notado, algumas delas não se dãonem mesmo ao trabalho de traduzir todas as páginas do site institucional… tsc, tsc…

Fico por aqui e deixo a dica > o livro que mencionei lá em cima é muito importante para todos os que trabalham com web (de designeres a profissionais de marketing digital) e acho que ele está entre as minhas Top 10 sugestões de literatura essencial para o profissional de internet. Veja também a apresentação dos autores sobre os fundamentos de Sites Culturalmente Customizados.

Para o alto e avante,

@ninocarvalho





Minha tentativa de entender *que diabos é relevância!*

18 09 2009

Em homenagem a um dos primeiros virais em vídeo da web, também é válido começar dizendo que essa minha proposta de categorização/definição dos tipos derevelância e como escolhemos o que é ou não relevante pra gente, é totalmenteempírica e embrionária. Ou seja, não é nada cientificamente estudado ou validado. Trata-se de um mero punhado de conceitos que me pareceram fazer muito sentido quando comecei a tentar entender como os usuários de redes sociais consideram o que entra ou não em seu próprio filtro social > como escolhemos o que é relevante pra gente?

Estimulado pelos últimos papos sobre o tema (como a troca de ideias na minhapalestra no planetário, os pensamentos do Nepomuceno e do Roney o debate que levantei no Gengibre etc.) comecei a pensar em quais atores (pessoas, marcas, empresas…) eram relevantes pra mim, e como eu classificava e utilizava a interação com eles.

Para isso, além de ler um bando de coisas e visitar vários sites, analisei o meu próprio Twitter (quem eu sigo, quem eu RT, o que coloquei nos meus favoritos) e o que tenho no meu escritório (tipo – livros, CDs e DVDs, folhas impressas e outros objetos). Antes de passar para o próximo parágrafo, é legal explicar que essa ideia de analisar os objetos do escritório veio porque percebi que muito do que estava ali eu adquiri por influência/sugestão de alguém que está no meu filtro social (ouça o áudio sobre “relevância no meu escritório”).

Com essa breve análise, tentei categorizar o conceito de relevância da seguinte maneira:

• Relevância Pessoal – são atores que me influenciam, me atraem de alguma maneira na minha vida pessoal. Com essas pessoas eu troco (ou simplesmente consumo) ideias sobre aspectos como relacionamento com amigos, diversão (cinema, leitura, lazer em geral, viagens etc.), updates pessoais (“fulano tá trabalhando naquela empresa”, ou “ciclano se casou”…). O Orkut faz um pouco esse papel de foco em relacionamento interpessoal. No Twitter, por exemplo, sigo o@almanaque, por dar dicas de cinema e seriados que me ajudam a ficar a par desses dois temas.

• Relevância Profissional – aqui eu incluo atores que considero importantes pelos inputs que têm na minha vida profissional, ou seja, que contribuem com aspectos diversos relacionados especificamente ao meu trabalho. Por exemplo, sigo o @eMarketer exclusivamente pelas informações que eles passam sobre o mercado de internet no mundo.

• Relevância Instrumental – essa categoria diz respeito àqueles atores que incluímos em nosso filtro social por um período determinado de tempo e com um propósito objetivo (ainda que esse propósito seja “avaliar” a pessoa/empresa). Atualmente, por exemplo, estou seguindo quatro empresas “caçadoras de tendências” para ver o que elas falam sobre produtos e tecnologias verde. Depois que coletar as informações que preciso, provavelmente irei descartá-las de meu filtro.

„« Faça você mesmo 🙂

Se você parar agora, por uns cinco minutos, e pensar em dividir os atores que considera influentes em sua vida, vai chegar a uns insights bem interessantes. Uma das coisas que vai notar, por exemplo, é que nos dois primeiros tipos (pessoal e profissional) o ator de relevância tende a ser mais permanente no seu filtro, enquanto que quem está categorizado como “instrumental” pode ir e vir, dependendo das suas necessidades naquele momento.

Talvez perceba, ainda, que há atores que estão na nossa lista e aparecem em mais de uma categoria. O Paulo Rodrigo, por exemplo, é um grande amigo, trabalhamos juntos em diversas ocasiões, damos aulas juntos, temos muitos colegas em comum etc. (relevância pessoal) e ele também fala coisas muito valiosas sobreMarketing de Busca e Marketing Digital (relevância profissional).

Quando fizer esse exercício mental (e/ou analisar o seu Twitter e Orkut), você ainda vai notar que os atores que você incluiu no seu próprio filtro social também podemmigrar de uma categoria pra outra. Quando comecei a me viciar em redes sociais, conheci algumas pessoas (@cristianoweb, @pathaddad, @lebravo e tantos outros) que me interessaram profissionalmente, a priori. Ao longo do tempo, conforme as conhecia, naturalmente eles foram entrando – também! – no grupo de relevância pessoal.

Por fim, além dessas constatações, percebi que alguns atores passam direto do “anonimato” para uma das duas categorias mais permanentes, enquanto que outros podem entrar em nosso filtro por uma razão pontual e, eventualmente, “convertemos” ou não esse ator como um participante mais sólido no nosso círculo pessoal de relevância. Nesse caso, acho que posso citar o @digitalbranding. Inicialmente, o incluí por ele falar muita coisa bacana de marcas no Brasil e no mundo (e eu estava pesquisando sobre esse tema para um artigo). Ou seja, a ideia era meramente pegar um pouco do que ele falava, sugeria etc. e that was that. No entanto, com o tempo, passei a me identificar com suas ideias sobre Marketing e Marketing Digital de uma maneira mais abrangente, e não mais somente em relação a Branding… (nesse momento, ele estava sendo adicionado ao rol de Relevância Profissional – e não sairá mais, o cara manda bem mesmo).

„« Explicando o tesão todo no tema “relevância”

Essas questões que envolvem o tema relevância têm me atraído demais, pois acho que é esse conceito que irá derrubar o poder da mídia tradicional e a influência das grandes empresas que, até o momento, conseguem comprar reações pré-determinadas de seus stakeholders com muita grana. Faz sentido falar isso se você pensar que o Google é o Google por que suas sugestões de resultados de busca são baseadas em… relevância!

Essa mudança do valor da relevância é um caminho sem volta. Atualmente confio em uma pessoa (marca, produto, serviço…) que eu realmente acho interessante a ponto de permitir que este ator entre no meu filtro social. Antes, de certa maneira, éramos quase que obrigados a engolir ideias que eram mascaradas por uma enxurrada de mensagens empurradas pela nossa goela. Fora isso (essa competição desigual por atenção) havia poucas opções ao nosso alcance…

Não é que O Globo, a Veja etc. tenham perdido toda a credibilidade (não necessariamente rsrs). O fato é que eu agora tenho acesso a milhares e milhares de outras fontes, tenho muuuuuito mais opções a um (ou poucos!) cliques de distância. E aí, nesse universo extremamente lotado de possíveis produtores de conteúdo, qualquer simples mortal pode competir com os gigantes (ex)intocáveis, desde que crie e respeite o conceito de relevância dentro dos ambientes sociais nos quais está inserido (vale ver a historinha da GoogleZon).

Vou ficar por aqui, mas gostaria MUITO de ouvir o que você pensa sobre esse papo todo de relevância. Apesar de estar ainda brincando com o conceito e levantando certas hipóteses, uma coisa é muito certa: relevância é o ativo mais valioso de agora e dos próximos anos, de maneira que me interessaria bastante entender o que é relevância para você (comente aqui mesmo na coluna – olha aí embaixo – ou então coloque seu recado no Gengibre).

See you in another life, brotha
(Desmond, no Lost)





#soumaisweb – 10a edição – Privacidade na Era da Intimidade Coletiva

1 09 2009

O próximo #soumaisweb vai ser no dia 12 de setembro, de 10h às 13h, no auditório do Ibeu (em Copa). O tema será Privacidade na Era da Intimidade Coletiva. Tenho visto muita gente dizendo que a privacidade será o principal ativo da internet nos próximos anos (encontrei muitos dados bacanas no eMarketer). Por isso, veio a idéia de abordar o tema aproveitando que um dos debatedores (pesquisador de renome internacional) estará no Brasil.

:: Debatedores

Claudio Hannig (@claudiohannig)
Diretor de Contas da Rapp Brasil e responsável pelo escritório carioca da agência. MBA em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas, Claudio trabalha há cerca de 7 anos com marketing de relacionamento e foi fundador do núcleo de comunicação dirigida da Petrobras.

Marcelo Thompson (@marcelothompson)
Professor Pesquisador Assistente de Direito e Tecnologia da Informação na Universidade de Hong Kong. Doutorando em Filosofia no Oxford Internet Institute, Universidade de Oxford. Mestre em Direito e Tecnologia pela Universidade de Ottawa, no Canadá. Foi Alcatel-Lucent Foundation Visiting Fellow no Hans-Bredow Institute for Media Research, na Universidade de Hamburg; Procurador Geral do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação, da Casa Civil da Presidência da República; Advogado (concursado) e Chefe de Departamento na Área Jurídica da FINEP, do Ministério da Ciência e Tecnologia.

Fernanda Bruno (@fernandabruno)
Professora adjunta do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura e do Instituto de Psicologia, ambos da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Dirige o CiberIDEA – Núcleo de pesquisa em tecnologias da comunicação, cultura e subjetividade, dessa mesma universidade, e é pesquisadora do CNPq, onde atualmente coordena a pesquisa “Visibilidade, Vigilância e Subjetividade nas novas tecnologias de informação e de comunicação”. Dentre suas publicações mais recentes, destacam-se o livro Limiares da Imagem: tecnologia e estética na cultura contemporânea (Fatorelli, A. & Bruno, F. ORGS. Rio de Janeiro, Mauad, 2007) e diversos artigos em periódicos científicos nacionais e internacionais sobre vigilância, visibilidade e subjetividade nas tecnologias de comunicação

Moderador – Andrea Thompson (@deathompson)
Jornalista pela PUC e pós-graduada em gestão estratégica de marketing digital. É analista de Novas Mídias do Multishow (Globosat) e já trabalhou em empresas como Globo.com, Rapp Worldwide e Jornal do Brasil. É pesquisadora de temas relacionados a novas tecnologias e seus impactos na comunicação e curadora especial do #soumaisweb.

INSCRIÇÕES
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– Seu Twitter
– Como soube do evento

Sempre mando, antes do dia do debate, um reminder pra todo mundo (não envio confirmação de recebimento do pedido de inscrição!). Com isso, a gente tá conseguindo montar uma rede bem legal de contatos e de profissionais feras nas diversas áreas de internet no Rio de Janeiro.

Vale dizer que a Arteccom vai dar revistas Webdesign e TI Digital gratuitamente durante o evento.

Veja também:

> O que andam falando do #soumaisweb no Twitter
> Mais sobre privacidade
> Mapa do local (Ibeu Copacabana)
> Veja resultados de busca no Flickr (fotos), Qik (vídeos) e YouTube (vídeos)
> Slides pra download das apresentações que já rolaram no evento
> Se quiser saber mais sobre o curso de pós-graduação em Marketing Digital, clique aqui